| No plantio do sorgo, um importante aspecto é a regulagem da densidade de plantio, onde a densidade ótima que promoverá o rendimento máximo da lavoura, varia basicamente, com a cultivar, e com a disponibilidade de água e nutrientes. A recomendação de densidade de sorgo granífero pode variar de 140 a 170 mil plantas por hectare na colheita. Associado a densidade de plantio está o espaçamento entre fileiras. No Brasil esse espaçamento é muito variável, indo de 50 a 90 cm, mas verifica-se uma tendência de se utilizar cada vez mais os espaçamentos reduzidos pelas seguintes razões: aumento no rendimento de grãos, por propiciar uma distribuição melhor de plantas na área, aumentando a eficiência na utilização de luz solar, água e nutrientes; melhor controle de plantas daninhas, em função do mais rápido fechamento dos espaços disponíveis; e redução da erosão, pela cobertura antecipada da superfície do solo. O objetivo seria utilizar o mesmo espaçamento para o milho e a soja, evitando ajustes adicionais na semeadora. A ocorrência de densidade de plantio aquém da desejada é comum em plantio direto onde as condições de solo e da semeadora não são favoráveis. Onde há excesso de palha, palhada mal distribuída, microrelevo irregular, normalmente associados a solo com maior teor de umidade do que o adequado, pode haver uma redução na densidade de plantio, além de causar emergência desuniforme e atraso no desenvolvimento inicial. Estes problemas podem ser agravados para cultura do sorgo, se a qualidade da semeadora não for boa. Além disso, MANTOVANI et al. (1992) avaliaram nove semeadoras com sementes de milho e concluíram que, de maneira geral, a distribuição longitudinal de sementes era irregular e fora dos limites aceitáveis, tendendo a se tornar mais irregular, à medida que a velocidade de semeadura aumentava. No caso do sorgo, este problema é menor, em razão da compensação de estande por perfilhamento, onde se pode obter um rendimento de produção próximo ao de uma cultura com estande adequado. Por causa deste problema e outros causados por inseto, seca, doenças, etc, sugere-se, aumentar, na regulagem da semeadora, a quantidade de sementes de 5 a 10% comparado com o plantio convencional. Também é importante manter a velocidade de semeadura dentro dos limites recomendados de 4 a 6 km/h. Várias marcas e modelos de semeadoras-adubadoras, são disponíveis hoje no mercado brasileiro que basicamente utilizam os seguintes sistemas de distribuição de sementes:
O tratamento de sementes de sorgo com inseticidas, utilizado para combater pragas de solo durante o plantio, altera a rugosidade da superfície delas, pelo aumento do ângulo de repouso, afetando o desempenho da semeadora, pela dificuldade de movimentação no depósito e também nos sistemas distribuidores (discos ou dedos prensores). Uma maneira de contornar este problema de escoamento pode ser o uso de uma substância inerte lubrificante, como o grafite, que diminua tanto o coeficiente de atrito entre as sementes como destas com a parede do reservatório. De acordo com Mantovani et all(1999) a dose de grafite indicada para uso no depósito é de no mínimo , 4 g/kg de sementes. O sorgo pode ser plantado por dois processos básicos: convencional e direto na palha (PD). No processo convencional o solo é arado, gradeado, desterroado e nivelado, enquanto que no processo de semeadura direta o revolvimento do solo é localizado apenas na região de deposição de fertilizante e semente. Qualquer que seja o processo de semeadura, alguns cuidados devem ter sido tomados com relação à correção da acidez e do alumínio tóxico, bem como com o controle de plantas daninhas e insetos praga do solo. A regulagem do equipamento de plantio Semeadoras com Disco de Plantio As recomendações técnicas para o estande final podem variar de 140 a 170 mil plantas por hectare, conforme a cultivar, com um espaçamento entre linhas, variando de 40 a 90 cm, em função da região. Para o cálculo do número de sementes por hectare precisa-se corrigir primeiro o valor do estande final em função do poder germinativo. No caso de semnte comercial, geralmente este valor se encontra na embalagem. Se por exemplo, o estande final desejado é de 150.000 plantas e o poder germinativo é de 90%, a densidade de plantio passará a ser: Considerando que durante o ciclo de uma cultura poderá ocorrer ataque de pragas, doenças na semente, falta d'água e até danificações mecânicas no plantio, o estande será mais ainda prejudicado. Além disso, as rodas motrizes das semeadoras causam redução de distribuição de sementes por patinagem e em situações de plantio direto, onde há excesso de palha na superfície, palhada mal distribuída, microrelevo irregular, normalmente associados a solo com maior teor de umidade do que o adequado, pode haver uma redução na densidade de plantio. Nestes casos, é recomendável efetuar o plantio com uma densidade de sementes 10% acima do valor do estande inicial desejado. No exemplo anterior, esse acréscimo seria de: Então, o número de sementes a ser semeadas para obter um estande final de 150.000 plantas será de: Regulagem da Distribuição de Sementes nas Semeadoras:
Se queremos uma população final de 150.000 plantas por hectare, deveremos plantar 183.000 sementes. Se plantarmos com um espaçamento de 0,60 metro, o número de sementes por metro será calculado da seguinte maneira: Sendo 1 hectare = 10.000 metros quadrados e o espaçamento entre fileiras de 0,60 m, temos o equivalente a uma faixa de 0,60 metros por 16.667 metros lineares (10.000 dividido por 0,60). Se a densidade desejada é de 183.334 sementes em 16.667 metros lineares, em 1 metro deve ser colocada 10,9 = 11 sementes(183.334 dividido por 16.667), ou seja: 111 sementes a cada 10 metros. Para calcular o número de sementes por metro linear, pode-se utilizar a seguinte fórmula: No exemplo anterior: 2. Checar os discos já existentes Podemos classificar as semeadoras em termos de regulagem de dois tipos:
Todos os fabricantes de semeadoras fornecem manuais de instruções com tabelas indicando o número de sementes distribuídas para cada tipo de disco e cada regulagem. Para as máquinas sem caixa de regulagem, basta escolher o disco com as características mais próximas do desejado e testá-lo:
Por exemplo:
Se o número de sementes encontrado não é satisfatório, testar outro disco(máquina sem caixa de engrenagem) ou mudar a relação de engrenagens(máquina com caixa de engrenagem). Mas nem sempre é encontrado a disposição o disco ideal para plantio. Neste caso, a solução é furar um disco virgem e adaptá-lo para a densidade de plantio desejada. | |||
Gleudecy B.C.C.Rodrigues UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA ESCOLA AGRICOLA ASSIS CHATEAUBRIAND CAMPUS II
A EXTENSÃO RURAL AGROECOLÓGICA
DESDE UMA ABORDAGEM DA SOCIOLOGIA AMBIENTAL
Analisar a temática da extensão rural agroecológica e como esta se insere na perspectiva das
abordagens realista e/ou construtivista que tratam da relação sociedade e natureza é o objetivo
deste trabalho. Na elaboração de um programa de desenvolvimento rural
Depara-se com a missão institucional, os objetivos estratégicos e
as estratégias de ação, que orientam a administração institucional. Isso nos instiga a levantar
questões sobre como um novo modelo de extensão rural é socialmente construído. O discurso
e a prática de uma nova extensão rural, ancorada nos princípios agroecológicos e visando a
um desenvolvimento rural sustentável, apresentam, portanto, um cenário que envolve
pressupostos sobre as relações entre sociedade e natureza, entre “leigos” e “peritos”, que
merece ser estudado pela abordagem da sociologia ambiental. O trabalho está organizado de
maneira a apresentar inicialmente os referenciais teórico-conceituais da sociologia ambiental
sobre o construtivismo e o realismo, abordados por alguns autores, como Guivant, Hannigan,
Buttel, e o conceito de risco, discutido por Beck. Os pressupostos da extensão rural
agroecológica são apresentados e discutidos, correlacionando-os com estes referenciais
teóricos, buscando explicar se ela foi construída socialmente e de que forma. Nas conclusões
procuramos responder se a construção social foi bem sucedida.
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