Gleudecy B.C.C.Rodrigues UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA ESCOLA AGRICOLA ASSIS CHATEAUBRIAND CAMPUS II
A EXTENSÃO RURAL AGROECOLÓGICA
DESDE UMA ABORDAGEM DA SOCIOLOGIA AMBIENTAL
Analisar a temática da extensão rural agroecológica e como esta se insere na perspectiva das
abordagens realista e/ou construtivista que tratam da relação sociedade e natureza é o objetivo
deste trabalho. Na elaboração de um programa de desenvolvimento rural
Depara-se com a missão institucional, os objetivos estratégicos e
as estratégias de ação, que orientam a administração institucional. Isso nos instiga a levantar
questões sobre como um novo modelo de extensão rural é socialmente construído. O discurso
e a prática de uma nova extensão rural, ancorada nos princípios agroecológicos e visando a
um desenvolvimento rural sustentável, apresentam, portanto, um cenário que envolve
pressupostos sobre as relações entre sociedade e natureza, entre “leigos” e “peritos”, que
merece ser estudado pela abordagem da sociologia ambiental. O trabalho está organizado de
maneira a apresentar inicialmente os referenciais teórico-conceituais da sociologia ambiental
sobre o construtivismo e o realismo, abordados por alguns autores, como Guivant, Hannigan,
Buttel, e o conceito de risco, discutido por Beck. Os pressupostos da extensão rural
agroecológica são apresentados e discutidos, correlacionando-os com estes referenciais
teóricos, buscando explicar se ela foi construída socialmente e de que forma. Nas conclusões
procuramos responder se a construção social foi bem sucedida.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
CUNICULTURA
No Brasil, a cunicultura é relativamente recente, começou só em 1950. O estado grande produtor e consumidor de carne de coelho é São Paulo, que detém 40% da produção nacional. O Paraná tem 15%. Ainda assim, a produção do país, 12 mil toneladas ao ano, é considerada irrisória em comparação à Europa e às outras espécies animais.
Um dos motivos pelo qual São Paulo é o estado onde mais se consome a carne, é devido à quantidade de restaurantes típicos de origem européia, pois os abatedouros vendem a carne para esses locais.
Apesar de o Brasil não possuir grandes criações de coelhos, é um país que tem clima favorável a essa cultura e variedade de vegetais, base da alimentação desses animais.
De acordo com o professor, para que o consumidor aprenda a incluir essa carne nas refeições é preciso que programas educativos e de marketing sejam criados. "Apontar o alto nível nutricional desse produto pode ser a saída. É uma carne branca nobre, com baixo teor de gordura e de sódio e alto valor nutricional. Características essas que vão de encontro às necessidades do brasileiro, que procura qualidade de vida e alimentação saudável." Quem não conhece torce o nariz, mas a carne é saborosa e o sabor assemelha-se ao da carne de frango.
Porém, antes do consumidor é essencial que o produtor tenha informação sobre essa criação. Em casos de monocultura, por exemplo, a cunicultura pode ajudar quando a produção da outra cultura fica em baixa. "Assim, os coelhos podem ser uma alternativa e não a cultura principal. O produtor pode investir em técnicas mais simples, sem custos significativos e utilizar nos abrigos materiais mais simples", exemplifica Scapinello. Mas essa simplicidade não é sinônimo de baixa qualidade.
O ideal seria que os poucos produtores brasileiros formassem cooperativas. Se os produtores se unissem, poderiam compartilhar equipamentos e negociar produtos. Se isso fosse feito a chance da pele e do pêlo do animal ser desperdiçada cairia bastante. "É como se fosse um círculo: o produtor cria os animais, depois os encaminha para o abatedouro, que, por sua vez, já distribui a pele e o pêlo para o curtume. Nesse sistema tudo é aproveitado. É o ideal."
A cunicultura oferece possibilidades ao produtor. Existem as raças de "coelhos de lã", que podem ser abatidos para confecção de casacos, tapetes e colchas; "coelhos de pele", que têm pêlos curtos e com pele destinada para fabricação de calçados, carteiras, bolsas e cintos; e os coelhos que têm maior aproveitamento da carne. O abate deve ser feito com atenção, pois se a pele misturar-se ao pêlo há perda de qualidade no produto industrializado.
Desde vestuário a acessórios, nada é desperdiçado no animal. Até o cérebro, que tem uma substância chamda tromboplastina, é aproveitado pela medicina. "Os laboratórios utilizam a tromboplastina para fazer o teste de coagulação sangüínea, pedido antes de cirurgias." Na França, aproveita-se também a urina dos coelhos na composição de perfumes, pois ajuda na absorção e na fixação do aroma.
Saiba mais
O custo de uma produção comercial é de RS 100 por matriz (fêmea), incluindo abrigos, alimentação, aquecimento do local e acessórios.
O período de gestação é de 31 dias. Em cada prenhez nascem aproximadamente 11 filhotes.
Profissionais devem acompanhar de perto o período logo após o nascimento dos filhotes, pois caso haja falta de água ou ração, a fêmea pode demonstrar instinto de canibalismo.
Depois de nascidos, contam-se 70 dias para que o abate seja feito.
Em pouco mais de duas horas podem ser abatidos cem coelhos.
O preço médio do quilo da carne é R$ 6,50.
Congresso debate novas técnicas
Estudantes, produtores e pesquisadores de 13 países reunidos para discutir programas de desenvolvimento sustentável, novas técnicas de manejo e projetos viáveis para produtores; esse é o cenário do 3º Congresso de Cunicultura das Américas, que está sendo realizado desde ontem em Maringá.
Para o professor titular do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Claudio Scapinello, essa é uma importante oportunidade para aprimorar as discussões técnico-científicas e ouvir produtores e pesquisadores.
É a primeira vez que o evento, que tem intervalo de quatro anos, é realizado na América do Sul. O Paraná foi escolhido por estar próximo de países que já têm tradição na criação de coelhos. "A Argentina, por exemplo, foi o primeiro país da América do Sul que aderiu à cunicultura", destaca Scapinello.
Maringá foi escolhida como sede do evento devido aos trabalhos pioneiros com a criação de coelhos desenvolvidos pela UEM, além de a cidade ser a sede da Associação Científica Brasileira de Cunicultura (ACBC).
Durante os três dias do congresso, serão apresentados 47 trabalhos de pesquisa que vão desde a apresentação da criação de coelhos como alternativa para o produtor, passando pela agregação de valores em produtos e subprodutos, até estudos da cunicultura em países emergentes da América Latina.
Também como parte do evento, há uma exposição de produtos industrializados feitos a partir da pele e do pêlo de coelhos.
FEI quer expandir mercado
Há 28 anos envolvida com a cunicultura, a Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) é pioneira no estado na criação comercial de coelhos.
São 1,2 mil animais da raça Nova Zelândia branco, divididos em três galpões, que se alimentam exclusivamente de ração balanceada, composta por 12 ingredientes (entre eles feno de alfafa e farelo de soja e de milho) e com teor de proteína de 17%.
Segundo o médico veterinário e diretor da FEI, Amauri da Silveira, a intenção é expandir a produção de carne e vender para outros municípios. "Por enquanto, só temos autorização para comercializar a carne em Maringá", diz.
A produção na fazenda ainda é artesanal, mas há projetos em desenvolvimento para que o processo torne-se industrializado e para que se firmem parcerias com produtores da região. "Os produtores abatem o animal e descartam a pele. Isso é errado, mas é feito porque não há interação entre eles. O objetivo é industrializar a pele", comenta o diretor da fazenda.
No ano passado, na FEI, foram abatidos 4,5 mil coelhos. Os animais abatidos são limpos e congelados. Do freezer, partem para restaurantes da cidade e para a UEM, onde a população pode comprar a carne congelada. A pele é encaminhada para o curtume para confecção de produtos.
O dinheiro arrecadado com a venda da carne é revertido em melhorias na estrutura da própria fazenda.
Para a reprodução, as fêmeas são colocadas nas gaiolas dos machos duas vezes ao dia para ter a garantia de que ela ficou prenhe. "Só no mês passado nasceram 600 filhotes", comenta o auxiliar de laboratório Pedro Barizon.
Na fazenda, os coelhos são mantidos em gaiolas com dimensões de 60 cm x 80 cm x 45 cm, têm água encanada, que vem direto da caixa dágua, e são alimentados uma vez ao dia com cem gramas de ração. "A alimentação tem de ser controlada para evitar excesso de peso, que atrapalha na reprodução", explica Barizon.
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